Feliz dia dos pais!
=D
domingo, 14 de agosto de 2011
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Três coisas...
... que valem MUITO a pena pensar antes de morrer.
Só não vale deixar para os últimos minutos :)Um semana abençoada a todos!
domingo, 17 de julho de 2011
Aula de poesia (e semiótica) com tio Drummond
PROCURA DA POESIA
Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou dor no escuro
são indiferentes.
Não me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem de equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.
Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.
O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.
Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.
Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível que lhe deres:
Trouxeste a chave?
Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.
C.D.A.
domingo, 3 de julho de 2011
Sobre religião, sectarismo e espiritualidade
621. Onde está escrita a lei de Deus?
- Na consciência.
O Livro dos Espíritos
Li uma frase outro dia na internet, atribuída a um físico chamado Steven Weinberg que diz mais ou menos o seguinte: “Com ou sem religião, pessoas boas farão coisas boas e pessoas más farão coisas más, mas para uma pessoa boa fazer uma coisa má, é preciso religião”. Achei demasiado preconceituosa e reducionista (como toda declaração preconceituosa). O curioso é que a lógica simplória utilizada no primeiro trecho é solenemente ignorada no segundo somente a título de um ataque gratuito à religião. Pessoas boas não fazem coisas más com ou sem religião, ou eu perdi alguma coisa? Ora, se a pessoa dita boa fez algo mal é porque ela não é tão boa assim, certo? E ela é assim com ou sem religião, certo?
Não descarto a possibilidade de eu não ter alcançado alguma lógica refinada, sutil demais para o meu entendimento grosseiro, mas acho que tampouco estou errado nas minhas divagações.
Uma questão relevante que certamente está por trás desta frase é uma distinção que ouso fazer entre religião e sectarismo. Para tanto, tomarei a liberdade de me lançar a uma breve conceituação, mas que não destoa do senso comum, sendo antes dois aspectos facilmente perceptíveis de um mesmo fenômeno (a relação com o sagrado). Religião, penso, é o aspecto espiritual do ser humano que o aproxima de Deus, é uma experiência mística, individual, é o famoso “religar”; já o sectarismo está relacionado com aspectos culturais, com a objetivação deste sentimento íntimo nos variados grupos humanos, que origina o surgimento de diferentes seitas. Dito isto, entendo que quando se fala nos problemas causados pela religião no mundo, está-se falando do sectarismo. Sim, concordo que há problemas no sectarismo, e o principal deles está ligado justamente com o terreno pedregoso das verdades absolutas de que a religião se ocupa. Assim, um dos requisitos de legitimidade de qualquer seita é a pressuposição de que ela encerra todas as verdades absolutas do Universo. O problema, como é sabido, ocorre quando as verdades absolutas de uma chocam-se com as verdades absolutas de outras. Junte-se a isso, a atávica dificuldade do ser humano de conviver com o diferente, e pronto, está aceso o barril de pólvora.
Por isso, defendo que dificilmente uma pessoa dita boa, fará uma coisa má em nome da religião, pode até ser em nome de sua seita e dos ideais que ela proclama, mas dificilmente em nome da religião. Por mais que a pessoa alegue que foi Deus que a fez delinqüir, resisto a acreditar que haja aí um fenômeno místico, mas certamente psiquiátrico (sem qualquer tom pejorativo, por favor). Obviamente que por trás desta conceituação minha há toda uma concepção de Deus plenamente identificado com ideais de amor, nos moldes do que se diz que pregou Jesus Cristo, o que não me parece uma forma tão disparatada de se conceber Deus. A relação com o sagrado, segundo meu ponto de vista não é vedada sequer para os ateus ou materialistas. Conheço inúmeros bastante mais “religiosos” que muito sectário por aí.
Para finalizar, copio e colo um texto que me chegou por e-mail de que eu gostei muito. A autoria é desconhecida. O que eu chamo de sectarismo, ele chama de religião e o que eu chamo de religião, ele chama de espiritualidade. Discordo de um ponto ou outro, mas é bastante inspirador:
As Diferenças entre Religião e Espiritualidade
A religião não é apenas uma, são centenas.
A espiritualidade é apenas uma.
A religião é para os que dormem.
A espiritualidade é para os que estão despertos.
A religião é para aqueles que necessitam que alguém lhes diga o que fazer e querem ser guiados.
A espiritualidade é para os que prestam atenção à sua Voz Interior.
A religião tem um conjunto de regras dogmáticas.
A espiritualidade te convida a raciocinar sobre tudo, a questionar tudo.
A religião ameaça e amedronta.
A espiritualidade lhe dá Paz Interior.
A religião fala de pecado e de culpa.
A espiritualidade lhe diz: "aprenda com o erro".
A religião reprime tudo, te faz falso.
A espiritualidade transcende tudo, te faz verdadeiro!
A religião não é Deus.
A espiritualidade é Tudo e, portanto é Deus.
A religião inventa.
A espiritualidade descobre.
A religião não indaga nem questiona.
A espiritualidade questiona tudo.
A religião é humana, é uma organização com regras.
A espiritualidade é Divina, sem regras.
A religião é causa de divisões.
A espiritualidade é causa de União.
A religião lhe busca para que acredite.
A espiritualidade você tem que buscá-la.
A religião segue os preceitos de um livro sagrado.
A espiritualidade busca o sagrado em todos os livros.
A religião se alimenta do medo.
A espiritualidade se alimenta na Confiança e na Fé.
A religião faz viver no pensamento.
A espiritualidade faz Viver na Consciência.
A religião se ocupa com fazer.
A espiritualidade se ocupa com Ser.
A religião alimenta o ego.
A espiritualide nos faz Transcender.
A religião nos faz renunciar ao mundo.
A espiritualidade nos faz viver em Deus, não renunciar a Ele.
A religião é adoração.
A espiritualidade é Meditação.
A religião sonha com a glória e com o paraíso.
A espiritualidade nos faz viver a glória e o paraíso aqui e agora.
A religião vive no passado e no futuro.
A espiritualidade vive no presente.
A religião enclausura nossa memória.
A espiritualidade liberta nossa Consciência.
A religião crê na vida eterna.
A espiritualidade nos faz consciente da vida eterna.
A religião promete para depois da morte.
A espiritualidade é encontrar Deus em Nosso Interior durante a vida.
A religião não é apenas uma, são centenas.
A espiritualidade é apenas uma.
A religião é para os que dormem.
A espiritualidade é para os que estão despertos.
A religião é para aqueles que necessitam que alguém lhes diga o que fazer e querem ser guiados.
A espiritualidade é para os que prestam atenção à sua Voz Interior.
A religião tem um conjunto de regras dogmáticas.
A espiritualidade te convida a raciocinar sobre tudo, a questionar tudo.
A religião ameaça e amedronta.
A espiritualidade lhe dá Paz Interior.
A religião fala de pecado e de culpa.
A espiritualidade lhe diz: "aprenda com o erro".
A religião reprime tudo, te faz falso.
A espiritualidade transcende tudo, te faz verdadeiro!
A religião não é Deus.
A espiritualidade é Tudo e, portanto é Deus.
A religião inventa.
A espiritualidade descobre.
A religião não indaga nem questiona.
A espiritualidade questiona tudo.
A religião é humana, é uma organização com regras.
A espiritualidade é Divina, sem regras.
A religião é causa de divisões.
A espiritualidade é causa de União.
A religião lhe busca para que acredite.
A espiritualidade você tem que buscá-la.
A religião segue os preceitos de um livro sagrado.
A espiritualidade busca o sagrado em todos os livros.
A religião se alimenta do medo.
A espiritualidade se alimenta na Confiança e na Fé.
A religião faz viver no pensamento.
A espiritualidade faz Viver na Consciência.
A religião se ocupa com fazer.
A espiritualidade se ocupa com Ser.
A religião alimenta o ego.
A espiritualide nos faz Transcender.
A religião nos faz renunciar ao mundo.
A espiritualidade nos faz viver em Deus, não renunciar a Ele.
A religião é adoração.
A espiritualidade é Meditação.
A religião sonha com a glória e com o paraíso.
A espiritualidade nos faz viver a glória e o paraíso aqui e agora.
A religião vive no passado e no futuro.
A espiritualidade vive no presente.
A religião enclausura nossa memória.
A espiritualidade liberta nossa Consciência.
A religião crê na vida eterna.
A espiritualidade nos faz consciente da vida eterna.
A religião promete para depois da morte.
A espiritualidade é encontrar Deus em Nosso Interior durante a vida.
(AUTOR DESCONHECIDO)
Uma ótima semana a todos e muita paz!
domingo, 26 de junho de 2011
Guerra e paz
O dia começou cedo em Lugano, cidade no sul da Suiça, fronteiriça com a Itália, região que se convencionou chamar “Suiça italiana”. Deixamos o Hotel Walter, bela construção de 1888 à beira do lago, por volta das 9 horas da manhã com destino à Itália setentrional, mais precisamente às cidades de Porretta Terme e Pistoia, onde, cerca de 66 anos antes, uma parte da Força Expedicionária Braseileira, instalou-se em campanha contra a Alemanha. Na excursão um dos ex-combatentes, o 3º Sargento do 4º Pelotão da 2ª Companhia do 9º Batalhão de Engenharia da mencionada Força Expedicionária, nonagenário, que, desde então não havia mais pisado naquelas localidades, meu avô.
A viagem foi tranqüila, algo em torno de 4 horas de duração, pouco sentidas em virtude das inspiradoras paisagens da Lombardia e da Emilia-Romagna, embora o tráfego pelas rodovias fosse extremamente intenso. A ordem era seguir até as proximidades de Bologna e, dali, pegar a secundária rota SS64, que nos levaria a Pistoia, passando por Porretta Terme. Não sem uma certa confusão, rapidamente resolvida, conseguimos encontrar a mencionada estrada secundária e em instantes meu avô já revia indicações em placas de locais que ele não pisava há 66 anos: Silla, Bombiana, Abetaia...
Ao passar por Porretta Terme, pediu para parar. Entramos pela cidade e, como era de se esperar, não era possível reconhecer muita coisa. Não por qualquer problema de memória, meu avô é das pessoas mais invejavelmente lúcidas que conheço, mas porque, obviamente, a cidade havia mudado um bocado ao longo das últimas 6 décadas. Estacionamos próximo ao imponente prédio da Prefeitura de Porretta Terme e, como estivesse próximo à hora do almoço, primeiro nos preocupamos em atender a esta demanda para depois explorarmos a cidade.
No restaurante em que aportamos havia uma coleção de fotos da antiga Porretta Terme, provavelmente anteriores, inclusive, à própria Guerra. No meio daquelas fotos divisei uma construção que muito se assemelhava às descrições do que meu avô dizia ser um antigo hotel desativado, utilizado por seu batalhão como abrigo e centro de operações. Mostrei-o e ele confirmou fazendo a ressalva de que, durante a guerra a construção era pouco mais que simples escombros. Disse que suas janelas haviam todas sido retiradas para que sua madeira fizesse as vezes de lenha para que os soldados pudessem melhor se aquecer e que, nos fundos, havia uma pedreira que era permanente alvo de bombardeios.
Dali, retornamos ao prédio da prefeitura onde havia um centro de informações turísticas. Queríamos um mapa da região para melhor localizarmos os povoados em que meu avô trabalhou na manutenção de estradas e pontes e na procura por minas terrestres. Fomos atendidos por um gentil casal que prontamente nos deram os mapas e que nos informaram que o referido hotel (cuja foto acima lhes mostramos) ficava a pouco metros dali, no fim daquela rua, à esquerda. Quando contamos que meu avô havia estado ali, junto à FEB, durante a guerra, ambos mostraram grande entusiasmo chegando inclusive a agradecê-lo pois provavelmente se não fosse a atuação dos brasileiros as coisas poderiam ter sido muito piores, e eles poderiam nem estar ali naquele momento. Confesso que me emocionei. Informaram ainda que no Monte Castelo, onde ocorreu um embate decisivo para a retirada dos alemães da região, havia um monumento em homenagem à FEB e aos soldados brasileiros que valia a pena ser visitado. Despedimo-nos e fomos procurar o Hotel Roma que, de fato, ficava a poucos metros dali. Moderno, restaurado e bem conservado, não perdemos tempo para fotografar meu avô à sua frente e, após, no parque ao fundo (onde havia a tal pedreira, hoje um anfiteatro com brinquedos infantis). Dali partimos para Monte Castelo e adjacências.
Fazia um dia belíssimo e a paisagem interiorana da Emilia-Romagna auxiliava a compor o emocionante e bucólico espetáculo da natureza. Passamos por Bombiana e Abetaia, onde meu avô relembrou a morte de seu amigo Ribeiro, vítima de uma das incontáveis bombas escondidas em escombros de casas. Na sua lucidez impressionante recordou-se que aquele dia era justamente o seguinte ao do aniversário de Ribeiro, o que não deixou de ser uma coincidência auspiciosa. Na volta, avistamos, ao longe, o que deveria ser o tal monumento referido pelo guia. Pegamos uma saída onde se lia a placa “Monte Castelo” e, sem surpresa, nos deparamos com o tal monumento. Em um terreno descampado, no alto de um morro, dois gigantescos arcos, entrelaçados em cruz, um voltado para cima, outro emborcado para baixo, e o sol, em toda sua plenitude, convidavam-nos a uma visita mais próxima evocando um local sagrado, de graves reflexões.
Difícil conceber que paisagem tão inspiradora já servira de locação para uma das batalhas do mais trágico evento que o mundo já conheceu. Das minúsculas flores que tapeteiam o monte ao silêncio monástico somente quebrado pelo som suave da brisa leve que volta e meia varria o capimzal, tudo ali convidava às mais belas reflexões. Entretanto, a estupidez humana é, e sempre será, cega para a transcendência de tudo o que é verdadeiramente belo - esta foi uma reflexão inevitável. Tentei, mas não consegui visualizar a terra mutilada pelos mais variados tipos de minas e bombas, nem cadáveres ou partes deles espalhados pelos arredores, essas coisas não pareciam alguma vez ter feito parte da vida daquele lugar. Todavia, aquele monumento gigantesco e uma testemunha ocular daquela história estavam ali para garantir o contrário.
Meu avô pediu permissão para bater continência em direção ao monumento, bem como em direção a Abetaia, em homenagem ao companheiro Ribeiro, que lá sucumbira. Desnecessário dizer que grande emoção tomou conta de todos nós presentes. Suas histórias sobre a guerra povoou o imaginário de filhos, netos (e provavelmente povoará os dos – por enquanto - 3 bisnetinhos), bem como dos demais integrantes de nossa imensa família. Seu diário de guerra (sim, ele o tem) é lido gerações afora. Desta forma, é difícil descrever a emoção de presenciar um momento como este. Fiquei tentando imaginar o que poderia estar se passando pela cabeça dele, mas acho que não teria capacidade nem maturidade de compreender. Só posso dizer que meu avô é amigo do tempo. Sabe vê-lo passar. Mesmo a custa de todo sofrimento (que ao longo destes 90 anos não foram poucos, afianço-vos), ele remanesceu forte e lúcido com toda candura que lhe é peculiar. E aquele momento soou para mim como uma espécie de prestação de contas. E refleti que daqui a 66 anos, se eu me vir em situação parecida e for ao menos metade da pessoa que ele é, terei sido um sujeito de muita sorte.
Dali, passamos rapidamente por Pistoia sem sequer sair do carro. Depois de tudo aquilo, certamente havia muito pouco mais a ser visto.
Para completar o roteiro, nosso destino final naquele dia era justamente Assis, a cidade onde nasceu e viveu um dos maiores baluartes da paz que este mundo já viu, São Francisco de Assis. Inspirador foi pouco.
A viagem foi tranqüila, algo em torno de 4 horas de duração, pouco sentidas em virtude das inspiradoras paisagens da Lombardia e da Emilia-Romagna, embora o tráfego pelas rodovias fosse extremamente intenso. A ordem era seguir até as proximidades de Bologna e, dali, pegar a secundária rota SS64, que nos levaria a Pistoia, passando por Porretta Terme. Não sem uma certa confusão, rapidamente resolvida, conseguimos encontrar a mencionada estrada secundária e em instantes meu avô já revia indicações em placas de locais que ele não pisava há 66 anos: Silla, Bombiana, Abetaia...
Ao passar por Porretta Terme, pediu para parar. Entramos pela cidade e, como era de se esperar, não era possível reconhecer muita coisa. Não por qualquer problema de memória, meu avô é das pessoas mais invejavelmente lúcidas que conheço, mas porque, obviamente, a cidade havia mudado um bocado ao longo das últimas 6 décadas. Estacionamos próximo ao imponente prédio da Prefeitura de Porretta Terme e, como estivesse próximo à hora do almoço, primeiro nos preocupamos em atender a esta demanda para depois explorarmos a cidade.
| Prefeitura de Porretta Terme |
| Foto do Hotel Roma em restaurante em Porretta Terme |
| Fachada do Hotel Roma |
| Em frente ao Hotel Roma. |
| Monumento em homenagem aos soldados brasileiros da FEB em Monte Castelo |
| Homenagem aos companheiros que lutaram. |
| Abetaia ao fundo. Homenagem ao companheiro Ribeiro. |
Para completar o roteiro, nosso destino final naquele dia era justamente Assis, a cidade onde nasceu e viveu um dos maiores baluartes da paz que este mundo já viu, São Francisco de Assis. Inspirador foi pouco.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Amor?

Quando vi o trailer deste novo trabalho do cineasta João Jardim (co-diretor de JANELA DA ALMA e do indicado ao Oscar LIXO EXTRAORDINÁRIO), lembrei inevitavelmente de outro filme que lhe é umbilicalmente ligado, que é JOGO DE CENA, de Eduardo Coutinho. Tanto assim que confesso que fui assistir o filme um pouco compadecido do fato de um cineasta relativamente novato (se comparado ao mestre Coutinho), com trabalhos tão interessantes, se prestar a copiar uma idéia já utilizada tão magistralmente em um trabalho de um diretor consagrado. Contudo, para minha alegria, devo dizer que todo meu compadecimento se mostrou vão.
Uma diferença clara entre os dois, é que em JOGO DE CENA o brilhante documentarista intercalava alguns depoimentos reais com uma versão interpretada dos mesmos por uma das atrizes convidadas (gente do naipe de Andrea Beltrão, Fernanda Torres e Marília Pêra, coisa básica). Em dado momento as atrizes são questionadas sobre como foi a experiência de interpretar alguém real, bem como também são convidadas a falar sobre suas próprias histórias de vida. Em outro, Coutinho nos engana, nos deixando sem saber, qual era o depoimento autêntico e qual era o encenado. AMOR? já não se ocupa disto com tanta objetividade, jamais mostrando os depoimentos reais ou conversando com os atores sobre a experiência.
Em AMOR? a iniciativa de substituir entrevistados reais por atores até remete às zonas cinzentas desta dicotomia realidade/ficção, mas isto é só um aspecto da discussão que o filme propõe, estando a serviço de uma temática específica. Enquanto em JOGO DE CENA as personagens da vida real foram encontradas através de um anúncio nos classificados de um jornal sendo os únicos requisitos que as mesmas fossem mulheres e tivessem “uma história para contar”, em AMOR? há “personagens” masculinos e femininos cujas histórias tem um conteúdo em comum bem definido: todos vivenciaram experiências extremas de “amor” e paixão em que invariavelmente estava presente algum tipo de violência. Assim, a escolha de atores para interpretá-los, além de nos fazer refletir, como em JOGO DE CENA, sobre a “teatralidade do humano”, também serve para potencializar o fato de que aquelas histórias, apesar de parecerem saídas de um filme do Almodóvar, eram bem reais. Em suma, a brincadeira com o binômio realidade-ficção é a mesma em ambos os filmes, somente que enquanto JOGO DE CENA utiliza os depoimentos reais, AMOR? se utiliza da crueza das histórias narradas e da fraqueza demasiado humana de seus personagens para construir sua ponte com a realidade. E ainda, enquanto JOGO DE CENA tem esta reflexão sobre realidade-ficção como temática principal, em AMOR?, este é apenas um dos aspectos do filme, sendo utilizado para ressaltar a temática principal que são as relações amorosas violentas.
O que é amor? Ele está presente realmente em relacionamentos violentos? Além destas cogitações filosóficas, este é um filme que nos convida a julgamentos morais já em seu título. A interrogação pode ser, sim, um sinal de imparcialidade do documentarista, mas depois de alguns minutos de filme, vemos que ela é realmente pertinente. Não me considero uma pessoa de temperamento violento e não cresci em um ambiente violento e talvez por isso fiquei tão incomodado com algumas histórias ali narradas, principalmente as interpretadas pelo naipe masculino Eduardo Moscovis, Claúdio Jaborandy e Ângelo Antônio, notadamente os agressores.
Diga-se de passagem, todo elenco, que conta ainda com Lília Cabral, Fabíula Nascimento, Sílvia Lourenço, Letícia Colin, Júlia Lemmertz e Mariana Lima está irrepreensível. A naturalidade da interpretação de Lília Cabral é algo impressionante, o que me leva a questionar sobre o porquê de sua pouca assiduidade nas telonas. Fabíula Nascimento, cada vez mais onipresente (graças a Deus), deixa bem claras, com seu carisma e talento, as razões de emendar um trabalho no outro. E foi um prazer rever Silvia Lourenço depois de tê-la visto somente em O CHEIRO DO RALO.
O filme intercala os depoimentos com imagens dos atores em situações cotidianas, o que humaniza ainda mais a discussão. A trilha sonora delicada de Lenine cumpre muito bem a sua função de embalar estes momentos (há uma versão de Beatriz que é bem bonita), muito embora soe quase como uma piada a opção por terminar a película com a sua clássica “Hoje eu quero sair só”. A fotografia busca ser realista, sem muitos efeitos, como se espera de um documentário, salvo quando opta por uma paleta dessaturada para os depoimentos, como a ressaltar toda obscuridade e clima opressivo que a violência proporciona às suas vítimas ou nestes momentos prosaicos, em que se tem maior liberdade para pintar os quadros da vida comum.
Por fim AMOR? é um filme complexo, que dá pano para manga para as mais variadas discussões. Principalmente para quem, como eu, não tem uma referência próxima de violência doméstica, serve como um bom parâmetro para compreender movimentos atuais de proteção à mulher, como a Lei Maria da Penha e sua relevância.
domingo, 17 de abril de 2011
Sobre "Pânico 4"

Lá pelos idos de 1997, meio sem saber muito do que se tratava, fui com minha mãe ao cinema (o falecido e imenso Art Tijuca, hoje uma irrelevante Leader Magazine), por indicação de minha irmã assistir ao primeiro PÂNICO. Eu já havia sido aterrorizado na minha infância por Jason e companhia e não precisou de muito esforço para eu me tornar um fã imediato desta nova produção. Além do fato de eu já gostar do gênero, o roteiro era bem trabalhado, o clima de tensão era bem construído e ainda havia um certo humor com várias referências espirituosas sobre cinema e filmes de terror. Quando soube que haveria uma continuação, fiquei eufórico e passei a acompanhar todos os filmes da trilogia – e todos os outros do gênero que vieram a reboque deste que já é considerado um clássico pelos especialistas.
Eu jamais poderia esperar que, onze anos depois de PÂNICO 3, iriam se aventurar a fazer um PÂNICO 4. Primeiro porque aparentemente já tinham sido aproveitadas todas as oportunidades que a saga de Sidney Prescott e companhia poderia oferecer e segundo que o gênero não está exatamente em alta (e aí pode surgir uma luz sobre a justificativa para esta continuação: a esperança dos estúdios de resgatar um gênero que sempre é sinônimo de bilheterias generosas e que nessa era de downloads pode atrair novamente o público para as salas de exibição por ser sempre um evento melhor aproveitado por grupos de adolescentes histéricos - principalmente os americanos, que tem mania de interagir com os filmes).
Além disso, confesso que assistir a um filme deste tipo nesses dias de hoje foi uma experiência estranha por outros motivos. Quando cheguei ao cinema, tinham dois meninos do lado de fora num misto de excitação e medo para entrar na sala. Diziam eles que tinham visto não sei onde que em algumas sessões poderia aparecer uma pessoa vestida de Ghostface para assustar os espectadores e promover o filme. Eles pareciam se divertir com isso, eu, confesso, fiquei preocupado de verdade. Podem me chamar de neurótico, mas na época dos primeiros filmes não havia Columbine, atirador do shopping Morumbi e atirador de Realengo. Naquela época, fazia parte do esquema saber que aquilo tudo não passava de ficção, que somente estávamos dando vazão a nossa ancestral atração por sentir medo com segurança e até por diversão e, mais importante, com distanciamento. Nunca situações deste tipo tinham acontecido tão próximo a mim a ponto de me incomodar um pouco na hora de ver o filme, e não posso dizer que não incomodou.
Enquanto filme, fui sem esperar muita coisa e ouso dizer que fui surpreendido positivamente. Acho que nada superará a trilogia original, principalmente os dois primeiros, mas confesso que curti também os seguintes, guardadas as devidas proporções.
Acho que o que mais gostei neste filme foi a oportunidade de rever os personagens tanto tempo depois e saber o que “aconteceu” com eles nesse meio tempo. Achei uma proposta interessante. Bem batida, mas interessante, principalmente por ser uma franquia que acompanhei de perto.
O filme começa justamente brincando com a infinidade de sequências caça-níqueis desnecessárias que esse tipo de produção costuma ter (e da qual este parece pretender ser uma exceção) e já dá pistas de que o mote vai ser justamente uma tentativa de atualizar o gênero para os dias atuais de internet, imediatismo e 15 minutos de fama.
Sidney Prescott retorna como uma equilibrada autora de livros de auto-ajuda perseguida, sim, por seus fantasmas, mas disposta a enfrentá-los, tanto assim que quando Ghostface ataca pela primeira vez em sua presença, em vez de fugir com medo, ela corre em sua direção disposta a enfrentá-lo a qualquer custo, inclusive dando-lhe uns bons sopapos. Neve Campbell parece segura no retorno à personagem que a lançou na carreira cinematográfica, sendo ainda uma presença forte em cena com seu carisma e olhar expressivo. Courtney Cox e David Arquette também estão razoáveis neste retorno a Gale Weathers e Dewey, agora promovido a xerife. Lembrava dele ter ficado com seqüelas físicas dos acontecimentos do primeiro filme (o que, salvo engano foi até motivo de piada nas outras sequências), mas isso não aparece e não é sequer mencionado neste, será que ele se recuperou com incontáveis sessões de fisioterapia? Ficamos sem saber. Gale Weathers busca uma relevância na trama que nunca chega a ter, mas é divertido vê-la novamente em ação nem que seja para “matar a saudade”. Já os “novatos” Hayden Panettiere (Kirby Reed), Rory Culkin (Charlie Walker), Emma Roberts (Jill Roberts), Erik Knudsen (Robbie Mercer) e Nico Tortorella (Trevor Sheldon) se saem bem também neste quase remake do primeiro filme (reparem bem, quase todos estes perfis estavam no primeiro filme, inclusive o tipo de morte de alguns). Destaque para os dois primeiros, que realmente saem do tatibitate dos filmes do gênero conferindo alguma autenticidade às suas atuações.
A direção de Wes Craven é competente como sempre e o roteiro segue o padrão PÂNICO de qualidade com suas tiradas espertinhas, referências a filmes e muitas mortes. Inclusive parece que andaram bebendo na fonte de JOGOS MORTAIS, carregando um pouco mais no sangue e nas vísceras expostas do que normalmente se vê nos outros filmes da franquia – mas ok, não chega a ser aquilo que críticos como Pablo Villaça convencionaram chamar de pornografia da tortura. Contudo, apresenta falhas como quando claramente levanta suspeitas infundadas sobre um dado personagem só porque ele lembra um dos assassinos do primeiro filme, nunca justificando a aparente antipatia gratuita que ele parece nutrir por Sidney. Ou quando uma personagem não repara em duas vítimas de Ghostface que rigorosamente estariam em seu caminho na volta do mercado ou ainda quando uma outra personagem é desconectada dos aparelhos médicos em um hospital e isso não é detectado pelas enfermeiras.
Entretanto, creio que a principal falha seja que mesmo apresentando uma crítica as continuações intermináveis e desnecessárias de seus congêneres, este PÂNICO 4 não conseguiu exatamente inovar como fez o primeiro 15 anos (!) atrás. É visível que até tenta, incluindo a internet na jogada, mas não foi criativo o bastante para fugir dos próprios clichês que criou para si.
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