Minha humilde e despretensiosa homenagem a Carlos Drummond de Andrade, neste dia do seu aniversário.
Bravo Drummond!
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Relembrando Francisco
Ele era um rapaz de origem nobre, fascinado por histórias de cavalaria e extremamente popular entre a juventude de sua época. Tinha fama de conquistador, andava bem vestido e, dizem, tinha algum apreço por bebidas e folguedos.
Um dia teve uma visão. E não hesitou em fazer-se nu de todo ego a fim de morrer para viver para a vida eterna. Mudou a sua vida e a história da Humanidade. Ele era Francesco Bernardone, de Assis. Ou Francisco de Assis, ou Irmão Alegria, ou il poverello.
Há, no filme de Zefirelli sobre sua vida, "Imão sol, irmã lua" (que é pura poesia devocional, senhores!), uma passagem que me é muito cara. Francisco vai ao Vaticano pedir permissão ao Papa para fundar sua Ordem. Vestido praticamente em andrajos, junto com seus companheiros, obviamente não é visto com bons olhos pelo clero frívolo e opulento que dominava a reunião, em um primeiro momento. Entretanto, a beleza de sua presença humildemente sincera e sinceramente humilde, consegue comover o Sumo Pontífice. O filme dá a entender que Inocêncio III chega a sentir certa inveja da paixão e da verdade que viu nos olhos do rapaz, tanto assim que arremata o encontro com uma frase que considero lapidar:
"Na nossa obsessão pelo pecado original, frequentemente nos esquecemos da inocência original"
Bonito, não? A mensagem de Francisco não poderia ser melhor resumida. Por mais que esta frase jamais tenha saído da boca do Papa e que o filme apresente uma versão romantizada, vale a reflexão.
Francisco conseguiu a permissão e graças a este feito é tido por muitos como o principal responsável por manter acesa a chama do verdadeiro cristianismo numa época em que a sua versão institucionalizada estava contraditoriamente no auge de seu poderio político, bélico e militar.
Abaixo, o trecho do filme.
Um forte abraço e uma ótima semana a todos!
Um dia teve uma visão. E não hesitou em fazer-se nu de todo ego a fim de morrer para viver para a vida eterna. Mudou a sua vida e a história da Humanidade. Ele era Francesco Bernardone, de Assis. Ou Francisco de Assis, ou Irmão Alegria, ou il poverello.
Há, no filme de Zefirelli sobre sua vida, "Imão sol, irmã lua" (que é pura poesia devocional, senhores!), uma passagem que me é muito cara. Francisco vai ao Vaticano pedir permissão ao Papa para fundar sua Ordem. Vestido praticamente em andrajos, junto com seus companheiros, obviamente não é visto com bons olhos pelo clero frívolo e opulento que dominava a reunião, em um primeiro momento. Entretanto, a beleza de sua presença humildemente sincera e sinceramente humilde, consegue comover o Sumo Pontífice. O filme dá a entender que Inocêncio III chega a sentir certa inveja da paixão e da verdade que viu nos olhos do rapaz, tanto assim que arremata o encontro com uma frase que considero lapidar:
"Na nossa obsessão pelo pecado original, frequentemente nos esquecemos da inocência original"
Bonito, não? A mensagem de Francisco não poderia ser melhor resumida. Por mais que esta frase jamais tenha saído da boca do Papa e que o filme apresente uma versão romantizada, vale a reflexão.
Francisco conseguiu a permissão e graças a este feito é tido por muitos como o principal responsável por manter acesa a chama do verdadeiro cristianismo numa época em que a sua versão institucionalizada estava contraditoriamente no auge de seu poderio político, bélico e militar.
Abaixo, o trecho do filme.
Um forte abraço e uma ótima semana a todos!
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Humorterapia
Acho que ficar jururu é um fato normal da vida e invariavelmente nos faz pensar nela e buscar meios de superar o que quer que seja que esteja nos aborrecendo, mas definitivamente não é um bom estado para se pensar na vida por muito tempo. Aí quando tô assim lembro sempre da musiquinha de “A vida de Brian”. Always look on the bright side of life. E definitivamente uma coisa que me ajuda a ver o melhor lado da vida é ver vídeos de filmes engraçados no youtube. Tenho um especial apreço por Peter Sellers e seu inesquecível Inspetor Clouseau. Esses dias apelei pra ele e essa sequência absolutamente impagável de “A nova transa da pantera cor de rosa”, o último e mais fraco da série, mas que tem essa pérola que é das coisas que mais facilmente me fazem gargalhar rigorosamente toda vez que assisto. E não há melhor remédio para uma jururuzice do que uma boa gargalhada. Ia discorrer sobre o humor e sobre o fato curioso de ver alguém se dando mal ser algo divertido (melhor lado da vida? Hein?), mas não. Deixo a reflexão para você, se quiser. Vamos gargalhar logo de uma vez :D
(só peço desculpas por não ter encontrado alguma versão legendada ou em português)
top moments:
(0:14) Querendo bancar o que manda na situação:
- I suggest we start with de upstairs. ("Eu sugiro começarmos pelo andar superior")
- This is the upstairs, sir. ("Este é o andar superior, senhor")
- Yes, I know that, I know that. ("Sim, eu sei disto")
(2:03) Depois de se embananar todo com uma armadura medieval e terminar com uma luva metálica entalada na mão:
– Obvious that the knight that wore this suit did not last very long! ("Obviamente que o cavalheiro que usou esta armadura não durou muito tempo!")
(3:50) Achando tudo muito suspeito:
- A beekeeper who has lost his voice, a cooker who thinks he's a gardener and a witness to murder… ("um apicuntor que perdeu a voz, um cozinheiro que pensa ser um jardineiro e uma testemunha de assassinato...")
(4:22) Depois de estraçalhar o piano tentando matar uma abelha:
- You ruined that piano! ("O senhor destruiu o piano!")
-What’s the price of a piano compared to the terrible crime that had been committed here? ("Qual o preço de um piano comparado ao terrível crime que ocorreu aqui?")
- But that was a priceless Steinway! ("mas era um Steinway de valor inestimável!")
-Not anymore! ("Não é mais!")
(só peço desculpas por não ter encontrado alguma versão legendada ou em português)
top moments:
(0:14) Querendo bancar o que manda na situação:
- I suggest we start with de upstairs. ("Eu sugiro começarmos pelo andar superior")
- This is the upstairs, sir. ("Este é o andar superior, senhor")
- Yes, I know that, I know that. ("Sim, eu sei disto")
(2:03) Depois de se embananar todo com uma armadura medieval e terminar com uma luva metálica entalada na mão:
– Obvious that the knight that wore this suit did not last very long! ("Obviamente que o cavalheiro que usou esta armadura não durou muito tempo!")
(3:50) Achando tudo muito suspeito:
- A beekeeper who has lost his voice, a cooker who thinks he's a gardener and a witness to murder… ("um apicuntor que perdeu a voz, um cozinheiro que pensa ser um jardineiro e uma testemunha de assassinato...")
(4:22) Depois de estraçalhar o piano tentando matar uma abelha:
- You ruined that piano! ("O senhor destruiu o piano!")
-What’s the price of a piano compared to the terrible crime that had been committed here? ("Qual o preço de um piano comparado ao terrível crime que ocorreu aqui?")
- But that was a priceless Steinway! ("mas era um Steinway de valor inestimável!")
-Not anymore! ("Não é mais!")
domingo, 14 de agosto de 2011
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Três coisas...
... que valem MUITO a pena pensar antes de morrer.
Só não vale deixar para os últimos minutos :)Um semana abençoada a todos!
domingo, 17 de julho de 2011
Aula de poesia (e semiótica) com tio Drummond
PROCURA DA POESIA
Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou dor no escuro
são indiferentes.
Não me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem de equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.
Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.
O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.
Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.
Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível que lhe deres:
Trouxeste a chave?
Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.
C.D.A.
domingo, 3 de julho de 2011
Sobre religião, sectarismo e espiritualidade
621. Onde está escrita a lei de Deus?
- Na consciência.
O Livro dos Espíritos
Li uma frase outro dia na internet, atribuída a um físico chamado Steven Weinberg que diz mais ou menos o seguinte: “Com ou sem religião, pessoas boas farão coisas boas e pessoas más farão coisas más, mas para uma pessoa boa fazer uma coisa má, é preciso religião”. Achei demasiado preconceituosa e reducionista (como toda declaração preconceituosa). O curioso é que a lógica simplória utilizada no primeiro trecho é solenemente ignorada no segundo somente a título de um ataque gratuito à religião. Pessoas boas não fazem coisas más com ou sem religião, ou eu perdi alguma coisa? Ora, se a pessoa dita boa fez algo mal é porque ela não é tão boa assim, certo? E ela é assim com ou sem religião, certo?
Não descarto a possibilidade de eu não ter alcançado alguma lógica refinada, sutil demais para o meu entendimento grosseiro, mas acho que tampouco estou errado nas minhas divagações.
Uma questão relevante que certamente está por trás desta frase é uma distinção que ouso fazer entre religião e sectarismo. Para tanto, tomarei a liberdade de me lançar a uma breve conceituação, mas que não destoa do senso comum, sendo antes dois aspectos facilmente perceptíveis de um mesmo fenômeno (a relação com o sagrado). Religião, penso, é o aspecto espiritual do ser humano que o aproxima de Deus, é uma experiência mística, individual, é o famoso “religar”; já o sectarismo está relacionado com aspectos culturais, com a objetivação deste sentimento íntimo nos variados grupos humanos, que origina o surgimento de diferentes seitas. Dito isto, entendo que quando se fala nos problemas causados pela religião no mundo, está-se falando do sectarismo. Sim, concordo que há problemas no sectarismo, e o principal deles está ligado justamente com o terreno pedregoso das verdades absolutas de que a religião se ocupa. Assim, um dos requisitos de legitimidade de qualquer seita é a pressuposição de que ela encerra todas as verdades absolutas do Universo. O problema, como é sabido, ocorre quando as verdades absolutas de uma chocam-se com as verdades absolutas de outras. Junte-se a isso, a atávica dificuldade do ser humano de conviver com o diferente, e pronto, está aceso o barril de pólvora.
Por isso, defendo que dificilmente uma pessoa dita boa, fará uma coisa má em nome da religião, pode até ser em nome de sua seita e dos ideais que ela proclama, mas dificilmente em nome da religião. Por mais que a pessoa alegue que foi Deus que a fez delinqüir, resisto a acreditar que haja aí um fenômeno místico, mas certamente psiquiátrico (sem qualquer tom pejorativo, por favor). Obviamente que por trás desta conceituação minha há toda uma concepção de Deus plenamente identificado com ideais de amor, nos moldes do que se diz que pregou Jesus Cristo, o que não me parece uma forma tão disparatada de se conceber Deus. A relação com o sagrado, segundo meu ponto de vista não é vedada sequer para os ateus ou materialistas. Conheço inúmeros bastante mais “religiosos” que muito sectário por aí.
Para finalizar, copio e colo um texto que me chegou por e-mail de que eu gostei muito. A autoria é desconhecida. O que eu chamo de sectarismo, ele chama de religião e o que eu chamo de religião, ele chama de espiritualidade. Discordo de um ponto ou outro, mas é bastante inspirador:
As Diferenças entre Religião e Espiritualidade
A religião não é apenas uma, são centenas.
A espiritualidade é apenas uma.
A religião é para os que dormem.
A espiritualidade é para os que estão despertos.
A religião é para aqueles que necessitam que alguém lhes diga o que fazer e querem ser guiados.
A espiritualidade é para os que prestam atenção à sua Voz Interior.
A religião tem um conjunto de regras dogmáticas.
A espiritualidade te convida a raciocinar sobre tudo, a questionar tudo.
A religião ameaça e amedronta.
A espiritualidade lhe dá Paz Interior.
A religião fala de pecado e de culpa.
A espiritualidade lhe diz: "aprenda com o erro".
A religião reprime tudo, te faz falso.
A espiritualidade transcende tudo, te faz verdadeiro!
A religião não é Deus.
A espiritualidade é Tudo e, portanto é Deus.
A religião inventa.
A espiritualidade descobre.
A religião não indaga nem questiona.
A espiritualidade questiona tudo.
A religião é humana, é uma organização com regras.
A espiritualidade é Divina, sem regras.
A religião é causa de divisões.
A espiritualidade é causa de União.
A religião lhe busca para que acredite.
A espiritualidade você tem que buscá-la.
A religião segue os preceitos de um livro sagrado.
A espiritualidade busca o sagrado em todos os livros.
A religião se alimenta do medo.
A espiritualidade se alimenta na Confiança e na Fé.
A religião faz viver no pensamento.
A espiritualidade faz Viver na Consciência.
A religião se ocupa com fazer.
A espiritualidade se ocupa com Ser.
A religião alimenta o ego.
A espiritualide nos faz Transcender.
A religião nos faz renunciar ao mundo.
A espiritualidade nos faz viver em Deus, não renunciar a Ele.
A religião é adoração.
A espiritualidade é Meditação.
A religião sonha com a glória e com o paraíso.
A espiritualidade nos faz viver a glória e o paraíso aqui e agora.
A religião vive no passado e no futuro.
A espiritualidade vive no presente.
A religião enclausura nossa memória.
A espiritualidade liberta nossa Consciência.
A religião crê na vida eterna.
A espiritualidade nos faz consciente da vida eterna.
A religião promete para depois da morte.
A espiritualidade é encontrar Deus em Nosso Interior durante a vida.
A religião não é apenas uma, são centenas.
A espiritualidade é apenas uma.
A religião é para os que dormem.
A espiritualidade é para os que estão despertos.
A religião é para aqueles que necessitam que alguém lhes diga o que fazer e querem ser guiados.
A espiritualidade é para os que prestam atenção à sua Voz Interior.
A religião tem um conjunto de regras dogmáticas.
A espiritualidade te convida a raciocinar sobre tudo, a questionar tudo.
A religião ameaça e amedronta.
A espiritualidade lhe dá Paz Interior.
A religião fala de pecado e de culpa.
A espiritualidade lhe diz: "aprenda com o erro".
A religião reprime tudo, te faz falso.
A espiritualidade transcende tudo, te faz verdadeiro!
A religião não é Deus.
A espiritualidade é Tudo e, portanto é Deus.
A religião inventa.
A espiritualidade descobre.
A religião não indaga nem questiona.
A espiritualidade questiona tudo.
A religião é humana, é uma organização com regras.
A espiritualidade é Divina, sem regras.
A religião é causa de divisões.
A espiritualidade é causa de União.
A religião lhe busca para que acredite.
A espiritualidade você tem que buscá-la.
A religião segue os preceitos de um livro sagrado.
A espiritualidade busca o sagrado em todos os livros.
A religião se alimenta do medo.
A espiritualidade se alimenta na Confiança e na Fé.
A religião faz viver no pensamento.
A espiritualidade faz Viver na Consciência.
A religião se ocupa com fazer.
A espiritualidade se ocupa com Ser.
A religião alimenta o ego.
A espiritualide nos faz Transcender.
A religião nos faz renunciar ao mundo.
A espiritualidade nos faz viver em Deus, não renunciar a Ele.
A religião é adoração.
A espiritualidade é Meditação.
A religião sonha com a glória e com o paraíso.
A espiritualidade nos faz viver a glória e o paraíso aqui e agora.
A religião vive no passado e no futuro.
A espiritualidade vive no presente.
A religião enclausura nossa memória.
A espiritualidade liberta nossa Consciência.
A religião crê na vida eterna.
A espiritualidade nos faz consciente da vida eterna.
A religião promete para depois da morte.
A espiritualidade é encontrar Deus em Nosso Interior durante a vida.
(AUTOR DESCONHECIDO)
Uma ótima semana a todos e muita paz!
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